top of page

Festas cenográficas, 1ª boate inflável do mundo e arena na favela

Unindo artistas mundiais a eventos inovadores, produtor coleciona recordes e cases de sucesso, como a boate inflável "Bubble" e a "Mykonos", festa que trouxe uma vila grega cenográfica em seu espaço.

O publicitário Gralton Corrêa Beiral, de 49 anos é um dos principais nomes do cenário cultural do país, sendo responsável por levar os populares trios elétricos do Nordeste para o sul do país, criar a "Bubble", primeira boate inflável do mundo, transformar as label-partys (festas de marca famosas) em experiências cenográficas completas, além de ser idealizador do projeto "Arena da Rocinha", que fortaleceu a cultura em uma das maiores comunidades do Rio de Janeiro.

- Me considero uma pessoa um tanto persuasiva e, para mim, isso é ter marketing em minha essência. Meu primeiro trabalho foi estagiando em uma agência que atendia uma das maiores marcas de fast-food do mundo. Criávamos os pôsteres dos sanduíches e combos, isso em uma época onde o photoshop não existia, era um trabalho artesanal e minucioso – comenta Gralton.

Em 1996, decidiu abrir uma franquia de uma grande grife internacional em Niterói (RJ). Em meio ao lançamento de uma de suas coleções, descobriu sua verdadeira aptidão, o mundo dos eventos.

- Aluguei um cinema para fazer um evento de lançamento de uma coleção de verão. Desmontei todas as poltronas dali e fiz um desfile no local, transmitido no telão, seguido de uma grande festa. Foi quando me apaixonei por esse mercado, e nunca mais sai – lembra.

Seu primeiro projeto revolucionário aconteceu no Rio Grande do Sul, em 2006, quando participava do conceituado Festival de Cinema de Gramado. Em meio a encontro com demais produtores teve a ideia de levar o carnaval baiano para a região, trazendo um trio elétrico com ninguém menos do que Ivete Sangalo. O evento reuniu mais de 30 mil pessoas, sendo o de maior sucesso do estado até então.

- Ainda no mesmo ano fizemos Cláudia Leitte, em Florianópolis, e a Banda Eva, em Capão da Canoa. Tamanho sucesso e proporção que os eventos foram tomando que, no ano seguinte, tivemos como sócia a RBS (Globo Sul), e conseguimos bater nosso próprio recorde, reunindo dessa vez mais de 40 mil pessoas – acrescenta.

De volta ao Rio de Janeiro, em 2008, em um evento incentivado pelo Governo do Estado através da Secretaria de Cultura, e em parceira com a Associação de Moradores da Rocinha, lançou um projeto social para a comunidade, que duraria dois anos. Chamado de "Arena da Rocinha", a iniciativa trabalhou cultura, educação, economia e alimentação dentro da comunidade.


- Tínhamos arrecadação de alimentos, eventos folclóricos nacionais, e levamos grandes artistas como estímulo a cultura. O mais interessante é que a comunidade, anteriormente evitada pelo estigma da favela, passou a ser amplamente frequentada. Em certos shows, como o do rapper norte americano Ja Rule, tivemos 20 mil pessoas, o que contribuiu para fortalecer a economia local – completa.

Na mesma época, o produtor mantinha um projeto de desenvolvimento em engenharia, de galpões infláveis para estocagens de grãos, visando a utilização em eventos. Viajando pelo litoral sul, notou estes equipamentos em fazendas da região, e dali nasceria seu próximo projeto, a "Bubble", primeira boate inflável do mundo.

- Eram estruturas curiosas de se observar, pela altura e formato arredondado do topo. Em uma dessas viagens fui recebido por um fazendeiro que me explicou como aquilo funcionava. Eu fiquei fascinado! Assim que sai de lá entrei em contato com o fabricante, e começamos a desenvolver a "Bubble". Ela usava a mesma tecnologia dos galpões, mas com algumas adaptações. Devido ao grande número de pessoas transitando, incluímos portas giratórias para fazer o acesso do público, mantendo assim a estrutura inflada. E pra completar ainda tínhamos toda a estrutura de uma verdadeira boate, como ar condicionado, iluminação, palco, painel de leds, camarotes e bares – explica.


No ano seguinte viria a criar o "Superstars Djs", festival que traria os maiores nomes da música eletrônica mundial, como Paul Oakenfold (Dj da Madonna) e Ferry Corsten, em um evento recheado de atrações. Em sua segunda edição, e com lotação máxima, o evento trouxe o líder do Swedish House Mafia, Axwell, e os belgas Dimitri Vegas e Like Mike, headlinners do festival Tomorrowland. Meses depois, traria para o Brasil o sueco Avicii, que tinha 5 das top 10 músicas no ranking mundial da Billboard. Entretanto, uma semana antes do evento, aconteceu a tragédia na Boate Kiss, cuja repercussão afetou as casas de show em todo território nacional.

- Nessa época, o Corpo de Bombeiros caçou mais de 800 CR's (licenças de estabelecimento) em todo o país, e perdemos inclusive o local da realização. E aí começou a dor de cabeça, porque tínhamos o principal artista eletrônico, sold-out de ingresso, e não tínhamos mais lugar para realizar o show. Tentamos remarcar com o músico, mas ele não tinha nenhuma data disponível até o próximo ano. Sem conseguir contato com seu agente, fui até o Chile tentar falar diretamente com ele, e tive a ideia de traze-lo em um feriado nacional, que era o dia do trabalho, tive que mandar até um jato para buscá-lo. As coisas estavam dando certo, mas ainda precisávamos de um lugar. Conversei pessoalmente com o Eduardo Paes, prefeito do Rio na época, que liberou para mim a locação da Cidade do Rock pela Prefeitura, então conseguimos fechar o evento no dia 1º de maio. Numa tarde de sol, reunimos dezenas de milhares de pessoas no que viria a ser o Rio E-Music Festival – detalha.

Em meio a diversos eventos e viagens, idealizou um novo conceito de festas com grande investimento em cenografia. Assim, junto com uma equipe de artistas e arquitetos, criou reproduções exatas de cidades como Mykonos (Grécia) e Tulum (México), em celebrações que iriam revolucionar o agito carioca.

- Na Mykonos montamos uma reprodução da ilha grega em um rooftoop de 2.000m². As casinhas brancas com portas e janelas azuis, a igrejinha, comércios e até os moinhos com 5 metros de altura, foram fielmente reproduzidos numa mini vila cenográfica. Já na Tulum, trouxemos uma réplica da pirâmide El Castillo com 10 metros, em uma equipe com 60 profissionais, artesãos que trabalhavam no carnaval da cidade, que construíram a escultura da Diosa Maya, inspirada pela "Ven a La Luz", um dos pontos turísticos mais badalados do México – afirma.


A carreira como produtor já era um sucesso, mas ainda faltava algo na vida de Gralton. O empresário queria um lugar próprio, se tornando parte do ecossistema carioca. Foi aí que surgiu a ideia do "Terraço Lagoon", situado na Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos cartões postais da cidade.

- Ele representa um novo momento da minha carreira profissional. Nesse projeto reuni 20 anos de experiência em um espaço de eventos idealizado e construído graças a uma jornada profissional de erros e acertos. Por cada detalhe, eu considero o Terraço Lagoon como fruto de amadurecimento do meu trabalho, minha obra prima! É sem dúvidas o melhor equipamento de eventos da cidade, e eu falo com propriedade, pois já loquei quase todos – finaliza.

Commentaires