MARIA CAROL REBELLO FALA SOBRE CARREIRA E NOVOS PROJETOS EM ENTREVISTA
- Redação

- há 5 dias
- 4 min de leitura
Fotos: Priscila Nicheli; Estilo: Samantha Szczerb; Beleza: Patricia Nicheli.
Atriz com uma trajetória construída desde a infância, Maria Carol Rebello tem na arte não apenas uma profissão, mas um modo de existir. Ligada ao teatro e ao audiovisual desde muito cedo, ela começou a trabalhar ainda aos 8 anos e ganhou projeção nacional ao aparecer, ainda criança, na novela “Vamp”, sucesso da Rede Globo nos anos 1990.

Ao longo de sua carreira, Maria Carol transitou com naturalidade entre televisão e teatro, integrando elencos de produções marcantes como “Era Uma Vez”, “Vila Madalena”, “Sete Pecados”, a microssérie “Dercy de Verdade”, além de novelas como “TiTiTi”, “Guerra dos Sexos”, “Alto Astral”, “Êta Mundo Bom!” e “Verão 90”. Nos palcos, destacou-se em montagens como “Tem Uma Mulher na Nossa Cama” e “CAOS”.
Agora, Maria Carol vive um novo momento na carreira ao assumir, pela primeira vez, a concepção e direção do espetáculo infantil “O Menino do Olho Azul”, uma homenagem ao tio e mentor artístico Jorge Fernando. Nesta entrevista, ela fala sobre vocação, amadurecimento, memória afetiva e os novos caminhos que vem construindo na arte.

Confira abaixo:
Você começou a trabalhar com arte ainda muito jovem, aos 8 anos. Em que momento percebeu que a atuação deixaria de ser apenas uma paixão para se tornar um propósito de vida ?
Eu comecei muito naturalmente porque era o universo da minha família já. Então eu sempre encarei não só como um propósito, mas como minha vida mesmo. O amor pela arte, pelo teatro, pelo audiovisual e pelas profissões que exerço dentro desse universo foram aumentando e sendo construído a cada trabalho. Algumas vezes pensei em fazer outra coisa, cheguei a cursar alguns períodos da faculdade de nutrição, mas sempre trancava e acabava nos palcos.
Ao revisitar a personagem Olga em “Êta Mundo Melhor!”, como você enxerga sua própria evolução como atriz desde “Êta Mundo Bom!” até agora — tanto técnica quanto emocionalmente?
A técnica pra tv, de uma novela, você adquiri a maior parte fazendo mesmo. São muitos detalhes como posicionamento de câmera, luz, sombras, as marcas das ações nas cenas… tudo alinhado com o estudo do texto e a interpretação. Então eu costumo dizer que novela você faz melhor cada vez que faz mais. Emocionalmente, a maturidade melhora tudo. Não é mesmo?! Acredito que a idade, o autoconhecimento e a segurança em si ajudam a gente ser melhor em qualquer profissão.

Sua relação com Jorge Fernando atravessa sua história pessoal e profissional. De que forma o legado dele segue presente nas suas escolhas artísticas hoje?
De todas as formas! Rs. Ele é minha referencia paterna, de homem, de ser humano, de cidadão. Meu tio era um cara feliz, do bem, engraçado, simples, que tratava todo mundo igual e olhando nos olhos. Aprendi isso com ele: humildade e verdade. E artisticamente ele exalava suas referencias pela casa, no dia a dia da família e nos seus trabalhos. Ele me levou pra ver os musicais da Broadway, que ele era apaixonado. Todas as referências de circo, a magia dos palhaços. A dança, sapateado, cinema, musica, MPB… tudo em volta do Jorge era arte.
A atuação aparece, nos seus relatos, como um pilar no enfrentamento do luto. Como a arte te ajuda a atravessar momentos de dor e reconstrução emocional?
O que me ajudou principalmente foi a escrita. E com minha necessidade de mergulhar nas minhas lembranças nasceu o doc “ FÔLEGO - até depois do fim“, onde eu assino o roteiro que é dirigido pelo Candé Salles. A arte me educou, me salva todos os dias e junto com a espiritualidade (outra herança deixada pela minha família) me faz respirar e querer continuar.

Você transitou por comédia, drama, novelas de época e projetos autorais. O que mais te desafia atualmente como atriz: o texto, o personagem ou o momento de vida em que ele chega?
Acho tudo desafiador. Gosto de encarar assim porque acredito mesmo que a vida é desafio! Com Olga de Eta Mundo Melhor teve o primeiro desafio de fazer a mesma personagem quase 10 anos depois continuando a história de onde havíamos parado, e aí veio o desafio da mudança da personagem pra uma ganancia e vilania. Isso pra uma atriz é maravilhoso! Poder brincar com essas nuances da personagem e ser surpreendida cada vez que recebo o texto.

“O Menino do Olho Azul” marca sua estreia na concepção e direção teatral. O que esse projeto infantil desperta em você que a atuação ainda não tinha acessado?
“O Menino Do Olho Azul“ é uma concepção minha. Eu sabia tudo o que queria e como queria quando encomendei o texto pro Lucas Domso. Poder idealizar e dirigir um espetáculo é o que mais me motiva e o que quero fazer nos próximos projetos. Sempre vi o Jorge fazer isso e aprendi com ele a ter essa visão geral, amarrar tudo dentro de um conceito.
Olhando para seus novos projetos — teatro, audiovisual e direção — que Maria Carol você deseja apresentar ao público nos próximos anos: a intérprete, a criadora ou a mulher que une memória, afeto e liberdade artística?
Todas! Eu sou artista e quero contar historias. As minhas, as de mulheres brasileiras, as ficções, as cômicas… Falar de épocas, de sociedade, de dores, de liberdade, amor, luto, memórias. E sempre com outra lição que aprendi com meu tio: não fazemos nada sozinhos. O barato é trabalhar e criar em equipe!




